Publicado em 20 de julho de 2026 por Camila Duarte
Autorizar o compartilhamento de dados de um banco com outro, direto pelo aplicativo, virou rotina para boa parte dos brasileiros, mesmo sem saber o nome oficial por trás dessa função: o Open Finance. Criado e regulado pelo Banco Central, o sistema define regras claras para a troca de informações financeiras entre instituições, sempre com autorização explícita de quem é dono dos dados.
A dúvida mais comum não é se a ferramenta funciona, e sim o que exatamente está sendo compartilhado e se isso é seguro. Aceitar um pedido de compartilhamento sem entender a extensão da autorização pode dar a sensação de estar cedendo controle sobre a própria vida financeira sem necessidade real.
Entender esse mecanismo ajuda a decidir quando vale autorizar o compartilhamento e quando é mais seguro recusar, sem depender só da explicação genérica que aparece na tela do próprio aplicativo do banco.
O que é o Open Finance e quem regula o sistema?
O Open Finance é uma iniciativa do Banco Central que permite o compartilhamento de dados e serviços financeiros entre instituições diferentes, sempre mediante autorização do cliente. O sistema começou a ser implementado em 2021 e hoje reúne dezenas de milhões de consentimentos ativos em todo o país.
Só participam do Open Finance instituições autorizadas a funcionar pelo próprio Banco Central, o que inclui bancos tradicionais, fintechs, cooperativas de crédito e instituições de pagamento. Essa exigência de autorização prévia é o que diferencia o sistema de qualquer aplicativo comum que peça acesso a dados financeiros.
Na prática, o Open Finance existe para reduzir a vantagem que o banco onde a pessoa já tem conta costuma ter sobre as demais instituições, já que hoje o histórico financeiro pode circular entre concorrentes com a autorização de quem é dono da informação.
Como funciona o compartilhamento de dados na prática?
O fluxo começa dentro do aplicativo da própria instituição financeira, nunca por um link externo enviado por mensagem. O cliente escolhe compartilhar dados de uma instituição de origem para uma instituição de destino, define o que será compartilhado e confirma a autorização com sua própria senha ou biometria.
Cada autorização é específica para um conjunto de dados e um prazo. Isso significa que aceitar compartilhar o extrato bancário não abre automaticamente acesso a outros produtos, como investimentos ou operações de crédito, a menos que isso também seja autorizado separadamente.
O serviço é gratuito para o cliente. Nenhuma instituição participante pode cobrar para iniciar, manter ou encerrar um compartilhamento de dados dentro do Open Finance.
Quais informações podem ser compartilhadas e quais não podem?
Alguns dados que costumam entrar no escopo do compartilhamento incluem:
- Dados cadastrais, como nome e informações de contato já registradas no banco
- Histórico de transações e movimentações da conta
- Informações sobre produtos de crédito contratados, como empréstimos e financiamentos
- Dados de investimentos e produtos de seguro, quando a instituição também oferece esses serviços
Nenhum dado é compartilhado por padrão. A instituição só pode acessar exatamente o que foi descrito na tela de autorização, e qualquer solicitação de escopo mais amplo depende de um novo consentimento explícito do cliente.
Quanto tempo dura um consentimento e como revogar?
O Banco Central e o Conselho Monetário Nacional aprovaram a Resolução Conjunta nº 7/2023, que simplificou a renovação de consentimentos e ampliou o prazo de validade do compartilhamento, que antes ficava limitado a 12 meses. Hoje um consentimento pode durar por tempo indeterminado, sem exigir renovação periódica, até que o próprio cliente decida interromper.
Revogar um consentimento pode ser feito a qualquer momento, pelo mesmo canal usado para autorizá-lo. Depois da solicitação, o cancelamento costuma ser imediato, ou em até um dia útil nos casos que envolvem iniciação de pagamento.
Vale revisar periodicamente quais compartilhamentos estão ativos, principalmente depois de trocar de banco ou parar de usar um aplicativo financeiro específico.
O que mudou com a integração entre Pix e Open Finance em 2026?
Desde 22 de junho de 2026, o Banco Central passou a permitir que o cliente autorize, de forma opcional, o compartilhamento de saldo e limite disponível ao conectar sua conta ao Pix por aproximação em carteiras digitais, ou ao autorizar movimentações automáticas por meio do Open Finance.
Essa novidade, chamada de jornada otimizada, une em uma única etapa dois procedimentos que antes eram separados: o consentimento para compartilhar dados e a autorização para vincular a conta ao serviço de pagamento. Segundo o Banco Central, o objetivo é reduzir falhas causadas por saldo insuficiente no momento da compra.
A autorização dessa função também pode ser cancelada a qualquer momento, sem impedir o uso normal de outros recursos do Open Finance.
Quais os benefícios reais para quem usa no dia a dia?
Alguns benefícios concretos do Open Finance para o consumidor incluem:
- Simulações de crédito mais precisas, já que a instituição enxerga o histórico real do cliente em vez de depender só de informações declaradas. Isso ajuda inclusive a calcular se um empréstimo cabe no orçamento com mais segurança
- Portabilidade de crédito mais simples, sem precisar reunir documentos manualmente para a nova instituição
- Visão unificada de contas mantidas em bancos diferentes, dentro de um único aplicativo
- Histórico mais completo para avaliação de crédito, o que pode ser relevante para quem está tentando reconstruir o score depois de estar negativado
Nenhum desses benefícios é automático ou garantido. Eles dependem da instituição de destino oferecer, de fato, uma condição melhor com base nos dados recebidos.
Quais os riscos e cuidados antes de autorizar o compartilhamento?
O principal cuidado é ler a tela de autorização antes de confirmar, verificando exatamente quais dados serão compartilhados e por quanto tempo. Autorizar por impulso, só para não interromper um cadastro, é o erro mais comum.
Também vale confirmar se a instituição de destino realmente participa do Open Finance de forma oficial, o que pode ser checado direto no site do Banco Central. Instituições não autorizadas não têm acesso ao sistema, então qualquer solicitação fora desse fluxo merece desconfiança.
Como diferenciar o Open Finance oficial de golpes que imitam a linguagem de “atualização de dados”?
Golpistas passaram a usar termos como Open Finance para dar credibilidade a mensagens falsas pedindo “atualização cadastral” ou “confirmação de dados bancários” fora do aplicativo oficial. O fluxo real do Open Finance nunca pede que o cliente clique em um link recebido por SMS, e-mail ou WhatsApp para autorizar o compartilhamento.
Se surgir qualquer pedido nesse formato, o caminho seguro é ignorar o link e abrir o aplicativo do banco diretamente para conferir se existe alguma solicitação pendente. Os cuidados descritos no artigo sobre o que fazer diante de um golpe pelo Pix seguem a mesma lógica de desconfiar de mensagens urgentes pedindo dados financeiros.
Conclusão
O Open Finance é uma ferramenta opcional, gratuita e controlada pelo próprio cliente do início ao fim, criada para dar mais transparência e concorrência ao sistema financeiro brasileiro. Usar bem esse recurso depende de revisar o que está sendo autorizado, confirmar se a instituição de destino é legítima e lembrar que o consentimento pode ser revogado a qualquer momento. Outros temas de organização financeira e segurança no dia a dia estão reunidos na categoria Finanças Pessoais, e quem quiser entender melhor produtos de crédito pode conferir a categoria Crédito do VulFinance.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação profissional. Consulte sempre as fontes oficiais.
Perguntas frequentes
O Open Finance é obrigatório?
Não. A participação depende sempre de autorização explícita do cliente, dado por dado, instituição por instituição. Ninguém é obrigado a compartilhar informações financeiras, e recusar um pedido de compartilhamento não afeta o funcionamento normal da conta nem de outros serviços já contratados antes.
O Open Finance é seguro?
O sistema é regulado e supervisionado pelo Banco Central, e só participam instituições autorizadas a funcionar por ele. Isso não elimina todo risco, mas reduz bastante a chance de fraude quando o compartilhamento acontece dentro do aplicativo oficial da instituição.
Quanto custa participar do Open Finance?
Nada. Nenhuma instituição pode cobrar do cliente para iniciar, manter ou encerrar um compartilhamento de dados dentro do sistema, seja pelo aplicativo do banco de origem, seja pelo da instituição de destino. Qualquer cobrança associada a esse processo foge do que o Banco Central regula.
Posso cancelar o compartilhamento a qualquer momento?
Sim. A revogação pode ser feita a qualquer momento pelo mesmo canal usado para autorizar o compartilhamento, sem precisar justificar o motivo. O cancelamento costuma ser imediato, ou em até um dia útil nos casos que envolvem iniciação de pagamento pelo Open Finance.
Open Finance é a mesma coisa que um golpe pedindo dados bancários?
Não. O fluxo oficial acontece sempre dentro do aplicativo do próprio banco, sem links externos enviados por mensagem. Pedidos de “atualização cadastral” por SMS, e-mail ou WhatsApp que usam o nome Open Finance para parecer legítimos são tentativa de golpe, não o sistema real.